Desenganem-se os que pensam que por aqui só se fala de mobília do século passado, ou de design nórdico e dinamarquês. No Pufe também há espaço para (e apreço por) muitas outras coisas.
Por isso hoje vou falar de algumas modernices. Da autoria de um designer latino. Com bigode. Que usa meias azul turquesa, camisas de manga curta às bolinhas e sapatos amarelos (não tudo ao mesmo tempo, aparentemente).
Chama-se Jaime Hayon, é espanhol e ainda não tem quarenta anos. À primeira vista, parece um bocadinho esquisito. E é capaz de o ser. Também faz coisas um bocadinho esquisitas, a armar ao surrealismo. Não se decide se é designer, se é artista, se é alguma outra figura no meio das duas. Ele lá saberá o que é (ou o quer ser.) Mas, apesar disso tudo, Hayon foi considerado pela revista Times como um dos 100 criadores mais importantes dos nossos tempos, e pela revista Wallpaper como um dos mais influentes designers da última década. Tem escritórios (se é que se pode chamar assim) em Espanha, Itália e Reino Unido. Cria peças de mobiliário para marcas de topo, como a Fritz Hansen, a Bisazza ou a &Tradition. É um empresário de sucesso.
No meio dos objectos que Hayon concebeu até agora, encontrei uns de que gostei. É o caso da linha de casa-de-banho produzida para a Bisazza (designada por bisazza bagno). Talvez porque, como diz o próprio designer, este tenha ido buscar inspiração ao glamour dos anos 30 e lhe tenha dado um toque escandinavo. O resultado é bonito, diferente mas discreto, original mas elegante. E, de certa maneira, não abandona o timbre divertido e ligeiramente infantil que costuma caracterizar o trabalho de Hayon: os móveis parecem estar em bicos dos pés, de saias arregaçadas, como uma senhora fina que passa incomodada por um passeio enlameado (6, 7, 8).
Não tem sido muito comum na história do design alguém ser valorizado por desenhar peças para casas-de-banho. É mais distinto - ou será, aos olhos de quem ausculta e educa o mercado - conceber cadeiras, mesas, sofás. Candeeiros, vá. Digamos que a criação de peças de casas-de-banho tem estado para o design como os solicitadores de execução estão para o direito. Ainda que necessário, é um trabalho considerado como não muito prestigiante e, sobretudo, significativamente desinteressante.
Mas se, por mais que tente, de facto não consigo encontrar nada de muito fascinante no trabalho dos solicitadores de execução, a verdade é que, olhando para as peças de Hayon retratadas acima, não tiro a mesma conclusão para o design de casas de banho. São, os das fotografias, verdadeiros móveis, aos quais não é indiferente o design, onde se vê que mesmo uma coisa tão utilitária como um lavatório pode ser bonita. Porque não há nenhuma razão para que um objecto puramente funcional, localizado numa divisão menos nobre da casa, não seja bonito. Pelo contrário: se tal coisa tem de existir, então que seja agradável de se ver e de se usar. Não há coisa pior para o bem-estar visual das pessoas do que ter de lidar todos os dias com objectos feios ou de que não se gosta.
Como se disse aqui (loja que
acompanho de perto, aliás), em tom de manifesto inspirado na filosofia shaker, don’t make something unless it is both necessary and
useful; but if it is both necessary and useful, don’t hesitate to make it beautiful.
Fotografias aqui.








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