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O cruzamento entre o mobiliário doméstico e o ciclismo não é evidente. Mas, estranhamente, existe.
A cadeira retratada acima (1 a 3), chamada Tour, tem três coisas de que gosto. Primeira: é feita em madeira de ar deslavado (a moda do deslavado dá para muitas linhas e por isso fica para outro post). Segunda: tem pormenores em amarelo, cor que odiava há uns anos e que progressivamente se foi entranhando nos meus gostos, para agora ser uma das minhas preferidas (sobretudo combinada com a madeira deslavada). Terceira: mistura design limpo, minimalista, com um toque surrealista (ou, para não ferir susceptibilidades, com um toque de disparate). Toque esse que, apesar de não ser subtil, também não é exagerado (a terminação da cadeira a lembrar o guiador de uma bicicleta de corrida, a estrutura tubular da cadeira a lembrar a estrutura das bicicletas).
E uma quarta: foi concebida por um designer português que promete muito - Rui Alves - e que, além de ser designer, vem de uma família de carpinteiros. Que gozo deve dar imaginar uma coisa e a seguir conseguir torná-la em matéria.
O banco (4 a 7), chamado Sella, foi desenhado pelos conhecidos irmãos Castiglioni (Achille e Pier). Para uma peça de mobiliário desenhada em 1957 é bastante arrojada. O mérito dos seus criadores e a sua idade, conjugados com a originalidade das formas, fazem deste banco uma espécie de não-clássico. É uma peça que está condenada a ser sempre irreverente, a nunca se tornar num símbolo de uma época. Pertencerá sempre à feira de curiosidades do design.
E não é, apesar de ter graça, coisa que comprasse para a minha casa, ao contrário da cadeira Tour. Acho que me sentiria tão desconfortável sentada nele como num monociclo circence, a fazer malabarismo ao mesmo tempo.
[cadeira Tour, Rui Alves, 2011, fotografias tiradas daqui]







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