27/08/2013

Gémea falsa



Tulip Chair, Eero Saarinen, Knoll, 1958, aqui



Maurice Burke para a Arkana, anos 60, aqui (parece que Burke se especializou a fazer imitações mais baratas de móveis de design; as imitações vieram posteriormente a ganhar valor por si)

26/08/2013

Kebnekaise

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É verdade que não acho grande graça a pufes sem estrutura, daqueles género saco de batatas, forma de pêra. Mas abro uma excepção para este. Imita, em malha com dégradé de azul escuro para branco, a Kebnekaise, a montanha mais alta da Suécia, com 2104 metros.

A mesma marca também recriou (não em malha, mas em tecido impresso) o Evereste, o Kilimanjaro e o Fuji, para a Lekolar. Para quem quiser sentar-se numa cordilheira composta por montanhas de todo o mundo, sem sair de casa.


Design de Little Red Stuga, aqui.

23/08/2013

A casinha de chocolate


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Há alguma coisa de mágico neste edifício, de indizível. De cruzamento entre cenários sagrados e profanos. Entre um templo, sítio de meditação, e um lugar de contos de fadas, como a casinha de chocolate de Hansel e Gretel. 
 
As imagens (parece que ainda só renderings, inacreditavelmente realistas) retratam uma casa de férias em Mountain West, Estados Unidos. A estrutura da casa é uma espécie de extrusão irregular que resulta de três caixilhos triangulares assimétricos, o que lhe dá a forma estranha que apresenta. William O’Brien Jr., o arquitecto que a projectou, descreve-a assim: The house aims to undermine the seeming limitations of a triangular section by augmenting and revealing the extreme proportion in the vertical direction, and utilizing the acutely angled corners meeting the floor as moments for thickened walls, telescopic apertures and built-in storage.
 
Esta casa é apenas um dos vários projectos deste arquitecto aos quais me rendi. William O'Brien Jr., aparentemente ainda muito jovem, promete. Além de ter um currículo académico de meter inveja - estudou Arquitectura e Teoria Musical no Hobart College em Nova Iorque e Arquitectura em Harvard -, vai acumulando prémios (também na Música) e bolsas pelo mundo fora, e já deu aulas em várias universidades americanas. Cantou num coro e tocou numa banda de rock indie. É actualmente Professor na Escola de Arquitectura do MIT e em Cambridge. Ouve Philip Glass, Steve Reich, Henryk Górecki, Arvo Pärt, enquanto trabalha no seu atelier. 
 
Pensando bem, os traços dos edifícios que saem do seu punho condizem com as linhas da música que ouve (e que, curiosamente, também se ouve de vez em quando em minha casa). Simples, direitos, puros, espirituais. Se tal música se transformasse em construção, era assim que seria. Como se o minimalismo místico daqueles compositores fluísse da música para os cortes e alçados, criando uma espécie de arquitectura contemplativa.

Se algum dia construir uma casa, já sei quem fará o projecto.


Allandale House, William O'Brien Jr., 2009-2010 (renderings de Peter Guthrie)

[fotografias aqui e aqui; informações aqui]

22/08/2013

Arquitectura a brincar

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Já não vou para nova, e um dos sinais mais evidentes disso é o grau de desactualização dos meus conhecimentos sobre os brinquedos da moda. Entre monstros de plástico com nomes impronunciáveis, veículos futurísticos que fazem quase tanto como um computador e bonecas sofisticadíssimas com mil e um acessórios, há muito que deixei de  acompanhar o tema. Isto se estivermos a falar dos brinquedos mainstream. Ou seja, excluindo aqueles que são produzidos por marcas educativas especializadas e adeptas do produto ecológico e do comércio justo, especificamente pensados para estimular a capacidade x ou y (e que custam o triplo dos outros). Esses, os brinquedos bonitinhos de design dinamarquês ou sueco, feitos em madeira com tintas não tóxicas ou outros materiais de primeira qualidade e que qualquer pai ou mãe com estas sensibilidades gosta de ver na estante mas que os filhos invariavelmente chutam para um canto, conheço-os a todos, e invento as desculpas mais esfarrapadas para os comprar. Na esperança - provavelmente vã - de que venham a ter algum uso e a merecer algum afecto. E, devo confessar, na espectativa de que tenham também um papel na formação de algum bom gosto, coisa que não será certamente alcançada com beyblades (uma espécie de piões agressivos - não sei que outra designação podem ter - cheios de acessórios, que parece que lutam uns contra os outros em ringues concebidos para o efeito).

Desabafos à parte, no outro dia fui surpreendida por uma gama de brinquedos da Lego que não conhecia (claro), e que me deixou com alguma esperança em relação à qualidade dos ditos brinquedos mainstream (apesar de tudo, a Lego é uma marca à parte nos brinquedos e sempre teve um lugar no meu coração).

É que a Lego resolveu (também não sei quando, confesso) criar uma série a que chamou de Lego Architecture, onde reproduz alguns dos edifícios mais conhecidos na arquitectura (e, também, alguns monumentos e atracções conhecidos). Por exemplo, a Fallingwater House, a Farnsworth House, a Robie House, a Villa Savoye ou o Museu Guggenheim de Nova Iorque (1 a 5), só para indicar alguns.

Suspeito que será raro o miúdo que ache graça a isto, e que queira mesmo brincar com estes Legos. Poucas cores, muitas limitações de composição, instruções demasiado precisas, um fastio mais do que certo. Os beyblades farão seguramente mais sucesso. Mas, se pensarmos nos adultos como os seus mais prováveis destinatários, parece-me uma óptima desculpa para voltar a brincar.

O meu favorito até nem é nenhum dos que vem acima retratado: é uma caixa (6) a que a Lego chamou de Architecture Studio, que tem mais de 1200 peças de Lego desta série e um livrinho com vários exercícios, dicas e técnicas de arquitectos famosos, além de algumas noções básicas de arquitectura (7 e 8). Uma espécie de caixa de materiais para se construir maquetes de edifícios em Lego. Apesar das limitações inevitáveis das peças rígidas de Lego, e para quem nunca se deu muito bem com K-line, é uma excelente ideia.
  

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21/08/2013

As tentações do papel de parede

O tema papel de parede, que fica algures entre o design gráfico, o industrial e a decoração de interiores, causa-me algum desconforto. Não é coisa que me horrorize em abstracto, mas a ideia de pôr papel de parede soa-me sempre a decisão definitiva e irreparável. 

De certa forma, seria semelhante a fazer uma tatuagem (se bem que o mundo das tatuagens não é de todo a minha praia): mais tarde ou mais cedo a pessoa farta-se daquilo, arrepende-se ou tem vergonha do que um dia achou fantástico e depois é o cabo dos trabalhos para tirar. Salvaguardando as devidas distâncias (e, além disso, a dor do laser), tirar da pele ou da parede causar-me-ia a mesma dor de alma. A mesma sensação de assunto mal resolvido.

É fácil nem sequer pensar no papel de parede como opção quando as escolhas se limitam aos padrões psicadélicos ou florais género anos 70, aos desenhos à Querido-Mudei-a-Casa ou às agora muito na moda imagens de estantes recheadas de livros, em trompe-l'oeil de bibliotecas fartas.

Mas o meu coração balança quando vê determinados papéis de parede. Por exemplo, os que estão nas imagens abaixo. Uns discretos, outros nem por isso, alguns até bastante arrojados e em registos muito diferentes, todos eles me fazem acreditar, por segundos, na temerária ideia de que até podia ficar bem.

O que vale é que depressa volto à realidade. Afinal, o papel de parede é uma zona perigosa, como bem se vê no conto sinistro de Charlotte Perkins Gilman, The Yellow Wallpaper: I'm getting really fond of the room in spite of the wall-paper. Perhaps BECAUSE of the wall-paper. It dwells in my mind so!

[texto integral do conto The Yellow Wallpaper aqui]


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20/08/2013

Suburban skies: a geometria copy paste da expansão urbana


 
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In Penny Lane there is a barber showing photographs
Of every head he's had the pleasure to know
And all the people that come and go
Stop and say hello


On the corner is a banker with a motorcar
The little children laugh at him behind his back
And the banker never wears a mac in the pouring rain
Very strange


Penny Lane is in my ears and in my eyes
Wet beneath the blue suburban skies
I sit and meanwhile back in


Penny Lane there is a fireman with an hourglass
And in his pocket is a portrait of the Queen
He likes to keep his fire engine clean
It's a clean machine


Penny Lane is in my ears and in my eyes
A four of fish and finger pies
In summer meanwhile back


Behind the shelter in the middle of a roundabout
A pretty nurse is selling poppies from a tray
And though she feels as if she's in a play
She is anyway


Penny Lane, the barber shaves another customer
We see the banker sitting waiting for a trim
And the fireman rushes in from the pouring rain
Very strange


Penny Lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
I sit and meanwhile back


Penny Lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
Penny Lane


Penny Lane, Beatles 
[As primeiras cinco imagens são de Christoph Gielen