Já não vou para nova, e um dos sinais mais evidentes disso é o grau de desactualização dos meus conhecimentos sobre os brinquedos da moda. Entre monstros de plástico com nomes impronunciáveis, veículos futurísticos que fazem quase tanto como um computador e bonecas sofisticadíssimas com mil e um acessórios, há muito que deixei de acompanhar o tema. Isto se estivermos a falar dos brinquedos mainstream. Ou seja, excluindo aqueles que são produzidos por marcas educativas especializadas e adeptas do produto ecológico e do comércio justo, especificamente pensados para estimular a capacidade x ou y (e que custam o triplo dos outros). Esses, os brinquedos bonitinhos de design dinamarquês ou sueco, feitos em madeira com tintas não tóxicas ou outros materiais de primeira qualidade e que qualquer pai ou mãe com estas sensibilidades gosta de ver na estante mas que os filhos invariavelmente chutam para um canto, conheço-os a todos, e invento as desculpas mais esfarrapadas para os comprar. Na esperança - provavelmente vã - de que venham a ter algum uso e a merecer algum afecto. E, devo confessar, na espectativa de que tenham também um papel na formação de algum bom gosto, coisa que não será certamente alcançada com beyblades (uma espécie de piões agressivos - não sei que outra designação podem ter - cheios de acessórios, que parece que lutam uns contra os outros em ringues concebidos para o efeito).
Desabafos à parte, no outro dia fui surpreendida por uma gama de brinquedos da Lego que não conhecia (claro), e que me deixou com alguma esperança em relação à qualidade dos ditos brinquedos mainstream (apesar de tudo, a Lego é uma marca à parte nos brinquedos e sempre teve um lugar no meu coração).
É que a Lego resolveu (também não sei quando, confesso) criar uma série a que chamou de Lego Architecture, onde reproduz alguns dos edifícios mais conhecidos na arquitectura (e, também, alguns monumentos e atracções conhecidos). Por exemplo, a Fallingwater House, a Farnsworth House, a Robie House, a Villa Savoye ou o Museu Guggenheim de Nova Iorque (1 a 5), só para indicar alguns.
Suspeito que será raro o miúdo que ache graça a isto, e que queira mesmo brincar com estes Legos. Poucas cores, muitas limitações de composição, instruções demasiado precisas, um fastio mais do que certo. Os beyblades farão seguramente mais sucesso. Mas, se pensarmos nos adultos como os seus mais prováveis destinatários, parece-me uma óptima desculpa para voltar a brincar.
O meu favorito até nem é nenhum dos que vem acima retratado: é uma caixa (6) a que a Lego chamou de Architecture Studio, que tem mais de 1200 peças de Lego desta série e um livrinho com vários exercícios, dicas e técnicas de arquitectos famosos, além de algumas noções básicas de arquitectura (7 e 8). Uma espécie de caixa de materiais para se construir maquetes de edifícios em Lego. Apesar das limitações inevitáveis das peças rígidas de Lego, e para quem nunca se deu muito bem com K-line, é uma excelente ideia.








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