O tema papel de parede, que fica algures entre o design gráfico, o industrial e a decoração de interiores, causa-me algum desconforto. Não é coisa que me horrorize em abstracto, mas a ideia de pôr papel de parede soa-me sempre a decisão definitiva e irreparável.
De certa forma, seria semelhante a fazer uma tatuagem (se bem que o mundo das tatuagens não é de todo a minha praia): mais tarde ou mais cedo a pessoa farta-se daquilo, arrepende-se ou tem vergonha do que um dia achou fantástico e depois é o cabo dos trabalhos para tirar. Salvaguardando as devidas distâncias (e, além disso, a dor do laser), tirar da pele ou da parede causar-me-ia a mesma dor de alma. A mesma sensação de assunto mal resolvido.
É fácil nem sequer pensar no papel de parede como opção quando as escolhas se limitam aos padrões psicadélicos ou florais género anos 70, aos desenhos à Querido-Mudei-a-Casa ou às agora muito na moda imagens de estantes recheadas de livros, em trompe-l'oeil de bibliotecas fartas.
Mas o meu coração balança quando vê determinados papéis de parede. Por exemplo, os que estão nas imagens abaixo. Uns discretos, outros nem por isso, alguns até bastante arrojados e em registos muito diferentes, todos eles me fazem acreditar, por segundos, na temerária ideia de que até podia ficar bem.
O que vale é que depressa volto à realidade. Afinal, o papel de parede é uma zona perigosa, como bem se vê no conto sinistro de Charlotte Perkins Gilman, The Yellow Wallpaper: I'm getting really fond of the room in spite of the wall-paper. Perhaps BECAUSE of the wall-paper. It dwells in my mind so!











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