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As primeiras imagens deste post não são grande novidade. Aparecem em blogues, entradas de facebook e slideshows vários. Normalmente relativos a casas fantásticas, destinos de férias extravagantes e improváveis ou locais esquecidos da civilização. Retratam o que parece ser uma linda casinha isolada, construída numa linda ilha igualmente isolada, chamada de Elliðaey, pertencente ao arquipélago de Vestmannaeyjar, na Islândia.
Mas, se é certo que essas fotografias já correram mundo, a história da casa não é tão conhecida (pelo menos, a aparentemente verdadeira).
Ao longe, e olhando para as pics 1 a 4, até que faz lembrar uma casa de férias tradicional-chique. Assim ao estilo New England meets The Hamptons meet Hudson Valley, como aquelas casas em madeira pintada de branco plantadas em grandes pradarias, que aparecem nos catálogos da Lexington, da Ralph Lauren ou da Tommy Hilfiger, bem Americana. Quase que se consegue imaginar os modelozinhos de várias idades a posar em frente à casinha, em jeito de família numerosa como agora é moda, todos vestidos com outfits coordenados para a próxima temporada Outono/Inverno.
Mas não. À medida que nos aproximamos (e avançamos pelas pics 5 e seguintes), a coisa vai ganhando contornos de casa remediada de subúrbio londrino. E pior. Além de as fotografias criarem ilusões de escala (a casa é relativamente pequena, se virmos as restantes imagens), não há electricidade, e a água vem de um sistema de recolha de águas pluviais. Apesar de, note-se, ter sauna, equipamento de primeira necessidade para qualquer islandês que se preze. Ou seja: não é propriamente uma baiuca, mas anda mais perto disso do que da mansão de férias que parece assim muito ao longe.
O curioso é que nem sequer é uma casa. Isto é, não é uma residência, nem de férias. É apenas uma espécie de albergue para caçadores construído pela Associação de Caça de Elliðaey. Porque esta linda ilha, um autêntico paraíso do Atlântico Norte, é normalmente frequentada por caçadores.
E caçadores de quê, perguntarão os leitores? O que se caçará numa ilha islandesa que, apesar da cobertura verdejante digna do screensaver de qualquer computador, não parece ter fauna relevante? A resposta é óbvia, para qualquer conhecedor dos hábitos islandeses: papagaios-do-mar, aqueles pássaros simpáticos parecidos com pinguins (pic 9), que são o símbolo da marca infantil da Penguin Books (Puffin Books). É vê-los a voar alegremente na pic 8, ao pé do que se assume ser um jovem caçador a posar com as suas futuras presas (o site da fotografia está em islandês, mas o olhar dele é isso que diz).
Pois é, parece que as ilhas de Vestmannaeyjar têm as maiores colónias de papagaios-do-mar do mundo. E, tendo sido no passado um elemento importante na dieta dos islandeses, o papagaio-do-mar continua a ter lugar de destaque na caça, actividade que encontra muitos adeptos junto deste povo. Ao ponto de, até 2010, a espécie não ter qualquer tipo de protecção legal no país e ser caçada em larga escala. Aliás, o coração cru do papagaio-do-mar é uma délicatesse islandesa. Mas assim do género de ser comido logo depois de ser arrancado do peito do bicho, ainda quentinho. Se não acreditam (e desde que não sejam especialmente sensíveis a estas coisas), vejam este vídeo de Gordon Ramsay, esse cozinheiro destemido, a mergulhar (ou melhor, a mastigar) nos mores islandeses, aqui.
Mas enfim, tradições e costumes à parte (quem sou eu para julgar), a verdade é que faz pena usar aquele cenário de sonho para amanhar um albergue de caçadores. Mas não tanta como imaginar os corações arrancados do peito dos desgraçados dos papagaios-do-mar, provavelmente resquício mal resolvido de uma herança viking qualquer.
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Show de bola a reportagem. Parabéns!
ResponderEliminarLocal interessante!!!
ResponderEliminarWow beautiful little house.
ResponderEliminarYes!!!!
EliminarQuero conhecer!!!!
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