Desde cedo fui acusada de ser tímida, o que durante muito tempo me irritou profundamente. Sobretudo por ser falso. Nunca fui tímida, mas sou e serei sempre introvertida (este livro explica bem a diferença).
Pensando bem, é muito simples: há pessoas que vivem voltadas para fora, e há outras que vivem voltadas para dentro. Há disso em tudo. E, curiosamente, também há disso nas casas. Há casas que estão abertas à rua, há outras que se fecham em si mesmas. E, nestas, há todo um mundo que ninguém vê ou suspeita.
É o que sucede com esta casa. Projectada por Aires Mateus, construída na Aroeira. Com uma forma hexagonal singular, que replica e preenche a também singular forma do próprio lote (14).
A casa são dois braços que tentam encontrar-se na relva. As janelas deitam para o interior desse abraço que, apesar de reservado, é muito luminoso.
Se não pensar no branco que encandeia e ocupa todas as superfícies verticais e horizontais, em algumas imagens (1 e 2) não me sai da cabeça a minha querida Burden House e as suas curvas, de que nunca me esqueço.
Só tenho pena de três coisas: desse branco imenso, excessivo, que podia ter sido compensado com mais madeira, do pé-direito tão baixinho para uma construção destas, das janelas pouco rasgadas. O resto, a casa, no seu recato, sem dizer nada, diz por si.
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