Hoje vi uma coisa no Designboom que não podia deixar de mostrar aqui no Pufe: as fotografias de Alexandre Jacques, tiradas a edifícios em Paris, Nova Iorque e Brisbane. É-me difícil olhar para elas durante muito tempo, porque os olhos escorregam por estes mosaicos tão perfeitos e tão lisos, sem terem nenhum ponto de interrupção onde se possam agarrar.
Nelas, a arquitectura desaparece. Os edifícios deixam de existir, para se transformarem em quadrículas complexas, descontextualizadas, desumanizadas. Ao mesmo tempo tão artificiais e tão orgânicas, ou não fosse a própria natureza feita de padrões, de fractais e de repetições. O ângulo em que as fotografias são tiradas é escolhido de modo a mostrar apenas uma teia ritmada e contínua de linhas e de formas geométricas. Uma cidade computorizada. Mas, lá está, é apenas deste ângulo. De outros, tudo é diferente. De outros ângulos, haverá post-its nas janelas, folhas desarrumadas na secretária, um pacote de bolachas meio comido, um casaco pendurado à pressa, um desenho de uma criança colado ao monitor do computador com fita-cola. É sempre (e se calhar só) uma questão de perspectiva.
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