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Quem não conhecer esta poltrona certamente pensará que ela é um modelo recente. Tem um ar modernaço, quase que podia estar no catálogo do próximo Inverno das melhores lojas de design (por acaso é uma peça exclusiva de uma delas, a Aram Store).
Mas não é. E não é apenas a sua idade que impressiona. Há três dados interessantes sobre esta peça, que aqui deixo por ordem crescente de estupefacção induzida:
A fonte de inspiração? Aquele famosíssimo boneco feito de pneus, marca eterna da Michelin, chamado Bibendum (é também o nome desta poltrona).
A época em que foi concebida? Início dos anos 20 do séc. XX (talvez um pouco antes).
O seu criador? Uma mulher semi-aristocrata irlandesa, Eileen Gray.
Eileen Gray é uma das designers mais importantes do século passado, ainda que grande parte do seu reconhecimento seja póstumo (também tem alguns trabalhos de arquitectura, mas isso fica para outro post). É uma espécie de Coco Chanel do design. Muitas das suas peças foram revolucionárias, e marcaram de forma significativa a facção do design que gosta de móveis com aço tubular [de uma forma muito simplista e por isso provavelmente errada ou pelo menos imprecisa, sempre que me lembro do período moderno divido-o entre os orgânicos e os industriais, ou seja, entre os fanáticos do mobiliário todo em madeira e os extremistas do vidro e do metal, seguindo-se uma terceira corrente, dissidente, que venera os plásticos, as borrachas e os acrílicos]. Quem não se recorda, por exemplo, da sua conhecida mesa E1027, que também aparece nas imagens 3 e 4 abaixo?
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A Bibendum chair (é verdade, o nome é tão pouco sofisticado), aparentemente sem grande graça, é muito especial.
Por um lado, é das poucas cadeiras balofas que consegue ser ao mesmo tempo elegante; não é comum um corpanzil destes conseguir ser também airoso, efeito para o qual é decisiva a estrutura de base, mais fina.
Por outro lado, é muito versátil. Com o cenário certo, tanto é feliz numa sala de estar, numa sala de espera ou num quarto.
Por outro lado ainda, mesmo parecendo ter linhas volumosas e grosseiras, tem traços subtis que lhe conferem uma harmonia invisível, que não se vê à primeira, só se sente: já repararam que os dois anéis gordos do encosto, apesar de parecerem meios donuts, são na verdade uma repetição mais cheia da base tubular da cadeira, também em meia-lua? Como se, no papel, fossem curvas saídas de canetas diferentes, uma de ponta fina, outra de ponta de feltro? Afinal confirma-se que a teoria da simetria de Gui Bonsiepe serve para alguma coisa.
Por um lado, é das poucas cadeiras balofas que consegue ser ao mesmo tempo elegante; não é comum um corpanzil destes conseguir ser também airoso, efeito para o qual é decisiva a estrutura de base, mais fina.
Por outro lado, é muito versátil. Com o cenário certo, tanto é feliz numa sala de estar, numa sala de espera ou num quarto.
Por outro lado ainda, mesmo parecendo ter linhas volumosas e grosseiras, tem traços subtis que lhe conferem uma harmonia invisível, que não se vê à primeira, só se sente: já repararam que os dois anéis gordos do encosto, apesar de parecerem meios donuts, são na verdade uma repetição mais cheia da base tubular da cadeira, também em meia-lua? Como se, no papel, fossem curvas saídas de canetas diferentes, uma de ponta fina, outra de ponta de feltro? Afinal confirma-se que a teoria da simetria de Gui Bonsiepe serve para alguma coisa.





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