Aprende-se na faculdade que, na sua definição mais elementar, o Design abrange a identificação de problemas e a subsequente concepção de soluções. Não quero desprezar o que já foi tão teorizado, mas, basicamente, o Design serve para resolver dificuldades. Existe para simplificar a vida das pessoas, para tornar mais fácil a sua interacção com o que as rodeia, seja o que for.
Curiosamente, antes disso, a faculdade de Direito e, sobretudo, a advocacia, ensinaram-me algo semelhante. Afinal, o Direito também se destina a identificar problemas e a propor soluções. Na advocacia, aliás, é precisamente esse o objectivo. Os advogados sempre foram e sempre serão uma espécie de designers jurídicos. Em dimensões tão diferentes, o Design e o Direito têm este denominador comum. E provavelmente é esse o motivo pelo qual eu, que odeio coisas por resolver e nós por desatar, gosto tanto dos dois.
Também por isso achei graça quando encontrei um outro cruzamento entre o Design (neste caso de interiores) e o Direito. Não é novidade que os escritórios de advogados estão cada vez mais parecidos com ateliers de arquitectura, mas há uns melhores que outros. Este chamou-me a atenção porque, não fossem os livros monocórdicos a bocejar eu-sou-um-manual-entediante-de-direito-comercial ou eu-sou-uma-soporífera-colectânea-de-jurisprudência-de-1943 (o design gráfico nos livros jurídicos já começa a ter qualidade, mas por regra não é muito feliz), eu diria que se tratava de uma empresa de publicidade. Quem disse que os advogados não podem ter estantes suspensas e prateleiras amarelas?
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[Escritório da sociedade Pereira Neto | Macedo Advogados, Brasil. Design de interiores de FGMF Arquitectos. Imagens aqui]



