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23/12/2013

Boas Festas | A montanha por achar




A montanha por achar
Há-de ter, quando a encontrar,
Um templo aberto na pedra
Da encosta onde nada medra.


O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há-de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.


A verdade, se ela existe,
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade.


Fernando Pessoa


[A fotografia é minha. Foi tirada na Serra da Estrela há uns anos]

11/09/2013

Sugestões do chef

O Pufe esteve de férias uns dias, para arejar as ideias. Como é blogue pequeno e de pouco alimento, sobreviveu, ligeiramente emaciado, à escassez de posts. Mas a internet, fonte importante do seu sustento, estava (e ainda está) em sérias dificuldades. Enquanto os problemas técnicos se resolvem, aqui ficam uns aperitivos.

| 1 | Interlace, um projecto futurístico aparentemente condenado a não sair do papel (ou do ficheiro de AutoCAD), está em construção.

| 2 | Toboggan, a secretária-cadeira minimalista da Knoll que parece uma reinterpretação de design das minhas cadeiras de escola. A mesma estrutura tubular e as mesmas superfícies, mas um resultado tão diferente.

| 3 | Sliding House, uma casa que se transforma graças a uma estrutura em carris. Não gosto do desenho da construção, mas a ideia pode vir a ser útil.

| 4 | About Time, um relógio que mostra – com muita dificuldade – as horas através de um diagrama de Venn.

| 5 | Trojan House (Melbourne), Villa Escarpa (Algarve) e Clearview Residence (Ontário), mais três casos de contaminação grave da arquitectura pelo vírus do balanço*.

* medida do avanço de uma saliência ou de um corpo, tomada para fora dos planos da fachada dados pelos alinhamentos

28/05/2013

Sumo

Pediu-me a Margarida para mostrar o pufe que comprei este ano, e que aqui referi.


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Aqui está ele. Chama-se Sumo (1 a 7). É da Normann, empresa dinamarquesa fantástica, e uma das minhas preferidas (quem me conhece sabe que tenho um fraquinho especial por design do norte da Europa, sobretudo nórdico e britânico).

O cuidado posto nos detalhes, concebidos com grande simplicidade (veja-se por exemplo o contraste da cor da linha com que os botões são cosidos, ou o dégradé da parte superior para a inferior), é típico do design dinamarquês. Típica é também a sobriedade visual, pois o objectivo é fazer brilhar a qualidade dos materiais e do trabalho que neles foi aplicado. Sem exuberâncias. E, como acontece frequentemente com objectos de design nascidos nessas terras, este pufe obriga a pensar como é possível fazer um móvel tão simples e, ao mesmo tempo, tão interessante. Ou, ainda, como é que três recursos tão triviais - tecido, madeira e botões - ainda podem dar origem a alguma coisa diferente, num mundo em que tudo já foi inventado e reinventado. 

Não sei explicar bem por que razão gosto deste pufe. Em mim isso acontece, aliás, com qualquer objecto de design de que goste. Nem vejo qualquer utilidade em tentar racionalizar isso. Gosto, e pronto. Não penso mais no assunto.
Ainda assim, quanto a este pufe, pensei mais um bocadinho. E descobri que gosto de imensas coisas. Gosto que seja estruturado, mas que tenha linhas suaves (pufes sem forma, estilo pêra ou fatboy, não é muito o meu género). Gosto que lhe tenham chamado pufe, mas que tenha quatro pernas (não é clara a taxonomia de um pufe, mas isso fica para outras histórias). Gosto que seja original, mas discreto. Gosto que seja robusto mas, ao mesmo tempo, que tenha um ar leve (e seja, efectivamente, muito leve). Gosto que seja moderno (no sentido mais corrente da palavra), mas que tenha alguma coisa de tradicional (trazida talvez pelos botões cosidos no tecido). Gosto que seja geométrico (no fundo, é um paralelepípedo em cima de quatro cilindros), mas que, em simultâneo, tenha alguma coisa de antropomórfico (tem um corpo e quatro membros).
E gosto de chegar à sala e de lá ver este móvel sossegado e silencioso, encostado a um canto como um gigante bem comportado.

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O pufe Sumo foi desenhado em 2011. É uma criança, portanto, sobretudo considerando a idade dos grandes ícones do design, muitos já com mais de 60 anos de vida, e muitos já órfãos de pai (ou de mãe, dependendo do designer).
O designer que o concebeu é, também ele, muito jovem. Chama-se Simon Legald e tem 27 anos. Terminou o curso o ano passado, na Escola de Design da Royal Danish Academy of Fine Arts. Começou a trabalhar com a Normann ainda estudante, há uns dois ou três anos. O pufe Sumo foi o seu primeiro trabalho a ser comercializado, mas já tem outros trabalhos em produção com a Normann (por exemplo, o sofá Onkel, a mesa Block, ou o bengaleiro Toj).
Simon Legald tem sobre o design uma posição que não é nova, mas que é invulgarmente madura para a sua idade. Na sua opinião, é a honestidade que faz com que um produto seja compreensível, uma vez que é a honestidade que descreve a sua função. Nas suas palavras, if you understand the product, then it doesn't need any explanation.
Quando lhe perguntaram como conseguiu ter quatro criações suas em produção numa altura em que ainda terminava o curso, Simon Legald respondeu que não há segredo nenhum, apenas muito trabalho. Tal como os seus projectos, essa resposta é honest with nordic simplicity. Que bom é ver pessoas que aos 27 anos já sabem tão bem o que querem e, querendo, com esforço e determinação, conseguem.

Fotografias 1 a 5 tiradas daqui. Fotografia 6 tirada daqui. Fotografia 7 tirada daqui.


Nota: não sei por que razão Simon Legald chamou ao seu pufe Sumo. Mas, curiosamente, há um outro pufe também chamado Sumo, criado por Xavier Lust para a Orange SkinNão me diz grande coisa, mas parece que o nome deste último vem do facto de a forma arredondada evocar o poder, o equilíbrio, a força e a serenidade de um lutador de Sumo.

09/05/2013

O ano do pufe

Parece que na Feira Internacional do Móvel de Milão (Salone Internazionale del Mobile di Milano – acontecimento importante no mundo do Design Industrial) uma das tendências mais marcadas este ano entre designers e fabricantes foi a escolha pelos produtos de pequena escala. Muitos acessórios e pequenas peças, que o mercado agora não compra tão facilmente estantes, mesas ou sofás que não sejam da IKEA (sem desprezo para a IKEA, que tem várias coisas fantásticas).

São, de facto, tempos em que os poucos homens médios que compram objectos de design dão preferência a produtos mais pequenos e com preços mais acessíveis. Como se disse aqui – sítio onde também se assinalou essa tendência –, 2013 será provavelmente o ano do pufe.

O pufe, esse objecto híbrido que não é nem móvel nem acessório, é o que dá mote a este blogue. Blogue que quer ser, tal como o assento que lhe dá nome, coisa simples e discreta, e que servirá apenas para eu revisitar, sempre que puder, alguns dos interesses que tive de deixar para trás (como o design ou a arquitectura). 

Não quero que seja, por isso, local de discussões sobre política internacional ou de reflexões acerca da condição actual da Humanidade. Mas também não vai ser uma lista de compras, ou uma parada vaidosa de desejos consumistas: será sobretudo um registo das coisas de que mais gosto, porque ser visual não é ser materialista, porque ver coisas bonitas faz bem à cabeça, e porque, por mais estranho que pareça, o design também tem uma faceta imaterial importante, ainda que muitas vezes seja desprezada.

Curiosamente (ou não), este ano comprei um pufe de uma marca dinamarquesa. Lindo de morrer, como não podia deixar de ser.