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26/08/2013

Kebnekaise

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É verdade que não acho grande graça a pufes sem estrutura, daqueles género saco de batatas, forma de pêra. Mas abro uma excepção para este. Imita, em malha com dégradé de azul escuro para branco, a Kebnekaise, a montanha mais alta da Suécia, com 2104 metros.

A mesma marca também recriou (não em malha, mas em tecido impresso) o Evereste, o Kilimanjaro e o Fuji, para a Lekolar. Para quem quiser sentar-se numa cordilheira composta por montanhas de todo o mundo, sem sair de casa.


Design de Little Red Stuga, aqui.

08/08/2013

O pufe antiprisma

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A Ferm Living, outra das minhas marcas dinamarquesas favoritas, tem um pufe digno de nota. É um antiprisma triangular ou, mais especificamente, um octaedro (um octaedro é formado por duas pirâmides de base quadrada, acopladas pelas bases), um dos sólidos platónicos (ou seja, é um sólido convexo em que todas as faces são polígonos congruentes - i.e., iguais - e todos os vértices resultam do mesmo número de arestas). E é uma boa razão para os estudantes de geometria descritiva ganharem algum alento, que afinal isto de se fazer projecções de poliedros pode servir para alguma coisa.
 
Mas não compliquemos, até porque a marca lhe chamou apenas, sem esquisitices, Wool Pouf. A verdade é que, tendo oito lados (oito triângulos equiláteros) em quatro cores diferentes, é possível ir alterando as cores que se mostram. Qualquer um dos lados pode servir de base ou de assento, porque são todos iguais. 
 
Tenho pena que não o produzam com outras paletes de cores também. Nada como um antiprisma platónico para alegrar os nossos dias.
 
 
[Aparentemente o Wool Pouf foi concebido pela própria fundadora da marca Ferm Living, Trine Andersen. Mas não consegui confirmar. Fotografias aqui.]

28/05/2013

Sumo

Pediu-me a Margarida para mostrar o pufe que comprei este ano, e que aqui referi.


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Aqui está ele. Chama-se Sumo (1 a 7). É da Normann, empresa dinamarquesa fantástica, e uma das minhas preferidas (quem me conhece sabe que tenho um fraquinho especial por design do norte da Europa, sobretudo nórdico e britânico).

O cuidado posto nos detalhes, concebidos com grande simplicidade (veja-se por exemplo o contraste da cor da linha com que os botões são cosidos, ou o dégradé da parte superior para a inferior), é típico do design dinamarquês. Típica é também a sobriedade visual, pois o objectivo é fazer brilhar a qualidade dos materiais e do trabalho que neles foi aplicado. Sem exuberâncias. E, como acontece frequentemente com objectos de design nascidos nessas terras, este pufe obriga a pensar como é possível fazer um móvel tão simples e, ao mesmo tempo, tão interessante. Ou, ainda, como é que três recursos tão triviais - tecido, madeira e botões - ainda podem dar origem a alguma coisa diferente, num mundo em que tudo já foi inventado e reinventado. 

Não sei explicar bem por que razão gosto deste pufe. Em mim isso acontece, aliás, com qualquer objecto de design de que goste. Nem vejo qualquer utilidade em tentar racionalizar isso. Gosto, e pronto. Não penso mais no assunto.
Ainda assim, quanto a este pufe, pensei mais um bocadinho. E descobri que gosto de imensas coisas. Gosto que seja estruturado, mas que tenha linhas suaves (pufes sem forma, estilo pêra ou fatboy, não é muito o meu género). Gosto que lhe tenham chamado pufe, mas que tenha quatro pernas (não é clara a taxonomia de um pufe, mas isso fica para outras histórias). Gosto que seja original, mas discreto. Gosto que seja robusto mas, ao mesmo tempo, que tenha um ar leve (e seja, efectivamente, muito leve). Gosto que seja moderno (no sentido mais corrente da palavra), mas que tenha alguma coisa de tradicional (trazida talvez pelos botões cosidos no tecido). Gosto que seja geométrico (no fundo, é um paralelepípedo em cima de quatro cilindros), mas que, em simultâneo, tenha alguma coisa de antropomórfico (tem um corpo e quatro membros).
E gosto de chegar à sala e de lá ver este móvel sossegado e silencioso, encostado a um canto como um gigante bem comportado.

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O pufe Sumo foi desenhado em 2011. É uma criança, portanto, sobretudo considerando a idade dos grandes ícones do design, muitos já com mais de 60 anos de vida, e muitos já órfãos de pai (ou de mãe, dependendo do designer).
O designer que o concebeu é, também ele, muito jovem. Chama-se Simon Legald e tem 27 anos. Terminou o curso o ano passado, na Escola de Design da Royal Danish Academy of Fine Arts. Começou a trabalhar com a Normann ainda estudante, há uns dois ou três anos. O pufe Sumo foi o seu primeiro trabalho a ser comercializado, mas já tem outros trabalhos em produção com a Normann (por exemplo, o sofá Onkel, a mesa Block, ou o bengaleiro Toj).
Simon Legald tem sobre o design uma posição que não é nova, mas que é invulgarmente madura para a sua idade. Na sua opinião, é a honestidade que faz com que um produto seja compreensível, uma vez que é a honestidade que descreve a sua função. Nas suas palavras, if you understand the product, then it doesn't need any explanation.
Quando lhe perguntaram como conseguiu ter quatro criações suas em produção numa altura em que ainda terminava o curso, Simon Legald respondeu que não há segredo nenhum, apenas muito trabalho. Tal como os seus projectos, essa resposta é honest with nordic simplicity. Que bom é ver pessoas que aos 27 anos já sabem tão bem o que querem e, querendo, com esforço e determinação, conseguem.

Fotografias 1 a 5 tiradas daqui. Fotografia 6 tirada daqui. Fotografia 7 tirada daqui.


Nota: não sei por que razão Simon Legald chamou ao seu pufe Sumo. Mas, curiosamente, há um outro pufe também chamado Sumo, criado por Xavier Lust para a Orange SkinNão me diz grande coisa, mas parece que o nome deste último vem do facto de a forma arredondada evocar o poder, o equilíbrio, a força e a serenidade de um lutador de Sumo.