O Pufe acordou hoje com vontade de falar sobre a moda dos sofás cutchi. É uma moda que se vai insinuando devagarinho, mas que está para ficar.
Por norma, o sofá é um móvel grande, o protagonista da sala de estar. Tem tendência a ser o mais discreto, por isso mesmo. Se é um bicho que mete respeito, é também um dos que quer passar despercebido, como um grande elefante envergonhado. Já basta o tamanho que tem. Por isso aparece tantas vezes com cores neutras, padrões sérios e formas discretas. Quem compra um sofá raramente se aventura em grandes excentricidades. É muito material, ali a ocupar a sala quase toda, há que escolher, diz-se, o que se funde melhor com o resto dos móveis e o que, todos os dias, nos diz não-olhes-para-mim-assim-eu-sou-só-um-sofá-e-não-tenho-culpa. Estes dois, abaixo, são exemplos disso (se bem que são mais uns falsos tímidos, cada um no seu género).
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Sofa, Florence Knoll, 1954, Knoll (aqui)
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Onkel Sofa, Simon Legald, 2012, Normann, aqui
Mesmo os sofás em pele tipo chesterfield são, devo reconhecer, portentosos exemplares de algum recato, ainda que armados em peça de luxo. É claro que os odeio, sejam feios ou bonitos, porque para mim não há assento pior que um sofá em pele. É mau quando a pele do sofá está fria, é ainda pior quando está quentinha (por causa do utilizador anterior) e parece que nos sentamos no lombo do próprio animal. É mau porque o sofá faz aquele chiar esquisito de cada vez que relutantemente nos mexemos, é ainda pior porque tem aquele cheiro duvidoso (será mesmo da pele?). E é péssimo, acima de tudo, porque não se pode lavar [blergh]. Para mim, um sofá em pele é um troféu como os outros: só faz sentido com tapete de pele de urso espalmado no chão e torso de veado na parede. Ou seja, não faz sentido nenhum. Mas, lá está, é uma questão de gosto. No fundo, é como a eterna e profundíssima discussão cueca vs. tanga, ou slip vs. boxer: com as devidas distâncias em relação aos sofás (que na prática nem são muitas), cada um é que sabe como prefere acomodar o respectivo dito.
Mas voltando aos sofás. Se a tendência é normalmente para o estilo sóbrio, a verdade é que há também por aí uns grandes malucos (sempre houve, mas agora há mais). São as divas do design, histéricas e extravagantes. Nas formas, nas cores, nas texturas, às vezes em tudo ao mesmo tempo, ao ponto de alguns sofás serem verdadeiros travestis mobiliários. Seguem alguns exemplos.
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Alcove Sofa, Ronan & Erwan Bouroullec, 2006, Vitra, aqui
Como é óbvio, isto ainda é o mundo do design considerado respeitado, onde se assegura uma garantia mínima de bom gosto e de qualidade. Mas às vezes essa garantia é muito ténue. Há por aí muita coisa que se aproxima perigosamente das criações de algumas lojas ali da Rua da Estefânia ou da Pascoal de Melo, onde pululam imitações mal amanhadas de grandes clássicos, contraplacados baratuchos, madeiras lacadas horripilantes e afins, imersos, claro, em tapetes de pelo comprido (normalmente roxos), móveis estofados (normalmente em tipo pele branco), mesas de centro em acrílico (normalmente azulado), papel de parede adamascado (normalmente com tons dourados) e telas “arte abstracta” ou stencils de parede com citações de Nicholas Sparks, tudo 100% poliéster made in China.
Retomando. Entre os sofá diva, há alguns subversivamente infantis. São os sofás cutchi-cutchi, que estão abaixo. Só mostro alguns, para não enjoar. É muito açúcar.
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Nubilo Sofa, Constance Guisset, 2014, Petite Friture, aqui
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My Beautiful Backside, Nipa Doshi & Jonathan Levien, 2008, Moroso, aqui
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My Beautiful Backside outra vez, agora versão gelatina de limão
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My Beautiful Backside, ainda outra vez, em azul bebé
São todos redondinhos, com almofadas em forma de rebuçadinho, tons pastel e padrões bilu bilu. As almofadinhas são mesmo a pedra de toque. Muitas almofadinhas, de vários tamanhos e feitios. É uma espécie de sofá meets tribo urbana japonesa. De clássicos semi bocejantes, os sofás passaram a big cuties cheios de corante artificial, que dificilmente resistirão à flutuação dos boards do Pinterest.
Comprar um sofá destes é como ir a uma loja de gomas. Mas, em vez de dor de barriga, estes sweeties causam dor de bolso: o preço – do Nubilo Sofa, € 2.600,00, e do My Beautiful Backside, pasme-se, € 13.320,00 – não é nada queridinho.
Comprar um sofá destes é como ir a uma loja de gomas. Mas, em vez de dor de barriga, estes sweeties causam dor de bolso: o preço – do Nubilo Sofa, € 2.600,00, e do My Beautiful Backside, pasme-se, € 13.320,00 – não é nada queridinho.
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