07/01/2014

O ano do cobre


Há quem faça listas com resoluções de ano novo. Eu, como jamais cumpriria as que fizesse, faço antes listas de coisas de que gosto. Hoje, são 12 coisas em cobre (ou cor de cobre), uma por cada mês do ano. Algumas, reedições de grandes clássicos (o 3 e o 7, desenhados, respectivamente, em 1968 e 1977). Outras, bem fresquinhas, capas dos catálogos mais recentes das melhores lojas de design.

Na verdade, se fosse o Pufe a ditar as modas, o cobre era a tendência do design industrial de 2014 (parece que foi um dos metais de eleição em 2013, mas isso para mim não interessa nada porque é agora que começam a surgir as peças mais interessantes). Há qualquer coisa no cobre que me faz lembrar o modernismo, sobretudo quando combinado com temas geométricos ou marmoreados. E os tons são tão bonitos. É o rosé dos metais, o tímido dos minerais, discretamente afogueado, tão diferente do dourado ou do bronze. 




1 | Lavatório de casa-de-banho, The Hayon collection, Jaime Haydon (Bizazza)
2 | Prato suspenso para alimentação de pássaros Bird feederCooperativa Panorámica (Cooperativa Panorámica)
3 | Candeeiro suspenso Flowerpot, Verner Panton (&Tradition)
4 | Candelabro Chunk of marbleAndreas Engesvik (Menu)
5 | Mesa Breeze, Monica Forster (Swedese)
6 | 3 jarras empilháveis, Spun Vase Trio, Tom Dixon (Tom Dixon)
7 | Jarro térmico Vacuum Jug, Erik Magnussen (Stelton)
8 | Espelho Gridy me, Gridy (Menu)
9 | Porta-lápis Copper Pencil Holder, designer não identificado (Ferm Living)
10 | Candeeiro suspenso Spica, Jamie Iacoli e Brian McAllister (Iacoli & McAllister)
11 | Organizadores de secretária Wireframe trays, Cooperativa Panorámica (Cooperativa Panorámica)
12 | Mesa Algedi Table, Jamie Iacoli e Brian McAllister (Iacoli & McAllister)

31/12/2013

Le Petit Chaperon rouge


Nem tudo o que vem do norte da Europa é cor de bétula. Lá, também se gosta muito de vermelho. Daquele vermelho que preenche tudo, sanguíneo, real, de capuchinho vermelho. Que, nas casas nórdicas, tem na sua fórmula mais antiga séculos de tradição, ajudando a destacá-las da paisagem branca e a preservar a madeira. E gosta-se de contrastes. Neste caso, entre o interior, tão tímido, e o exterior, tão festivo. O resultado é inesperado, mas tão bonito.

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[The red house, Jarmund/Vigsnaes AS Arkitekter MNAL, aqui; fotografias aqui]

Sem título

Nem tudo tem que ter uma explicação. Assim acontece com este post. É apenas uma sala de reuniões, mas é a minha preferida. Cadeiras Eames, mesa AGL, jarro Stelton. Imagem daqui.

23/12/2013

Boas Festas | A montanha por achar




A montanha por achar
Há-de ter, quando a encontrar,
Um templo aberto na pedra
Da encosta onde nada medra.


O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há-de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.


A verdade, se ela existe,
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade.


Fernando Pessoa


[A fotografia é minha. Foi tirada na Serra da Estrela há uns anos]

21/12/2013

The house of Christmas yet to come

Ghost of the Future. 'he exclaimed,' I fear you more than any spectre I have seen. But as I know your purpose is to do me good, and as I hope to live to be another man from what I was, I am prepared to bear you company, and do it with a thankful heart.
A Christmas Carol, Charles Dickens

Nesta época de Inverno, o Pufe foi atacado por uma súbita virose. É possível que apareçam, nos próximos posts, alguma geada, um pouco de gelo ou neve abundante. Mas os sintomas desaparecerão dentro de alguns dias.

Aqui está o primeiro caso, já diagnosticado. Uma casa no meio de um pomar, perto do rio Hudson, Estado de Nova Iorque, que, nos meses mais frios, veste uma camada de neve espessa. Tão espessa que nem parece, como é, água em forma de cristais de gelo.

A construção em si mesma não tem nada de especial, apesar de os primeiros registos dela datarem de 1734. Liga o velho ao novo, o tradicional ao moderno. Mas as cores que a neve faz realçar, essas, são extraordinárias.

Já agora, esta casa pode ser arrendada. Aqui. Quem sabe se não fará parte de um Natal futuro.


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[Fotografias aqui e aqui]

05/12/2013

As áreas de serviço na Noruega

Quando eu pensava não ser possível existir outro miradouro que me tirasse o fôlego, eis que (novamente) os noruegueses me aparecem com estes. Não há dúvida que têm queda para criar estruturas vertiginosas, que impressionam tanto quanto o cenário que oferecem.

Todos eles, tal como o outro de que aqui já falei, pertencem a um conjunto colossal de iniciativas do governo norueguês conhecido por National Tourist Routes in Norway, planeado (e ainda em execução) para atrair turistas para zonas do país menos conhecidas, mas lindíssimas. Criaram rotas rodoviárias turísticas, aproveitando as estradas mais bonitas, e nelas salpicaram projectos vários de arquitectos conceituados, desde miradouros, esculturas, pontos de interesse, parques de estacionamento, passadiços, pontes, hotéis, museus, salas de exposições, restaurantes e edifícios afins, do norte ao sul. A maioria deles são apenas zonas de descanso com instalações sanitárias, mas, como estão à beira de precipícios ou em paisagens de cortar a respiração, a experiência torna-se, digamos, panorâmica. É todo um outro conceito de áreas de serviço. 

É tudo arquitectura e turismo de alto calibre. E de muito bom gosto. Os resultados são visualmente tão inspiradores que não há de certeza quem não queira visitar estes sítios depois de ver as imagens que mostro abaixo. Mesmo que seja só numa paragem para ir à casa-de-banho. 

A verdade é que o investimento, nitidamente de uma envergadura imensa, mostra bem o que acontece quando se quer apostar a sério no turismo. E é tão a sério que chega a ser agressivo. Muitos destes projectos parecem gritar: ai achas mesmo que o teu país é bonito? Então desce aqui por esta escarpazinha, espreita ali por aquele passadiço, e depois falamos. Na Noruega não se brinca com o interesse público. 


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Imagens aquiaqui, aqui, aqui e aqui

04/12/2013

Design para advogados

Aprende-se na faculdade que, na sua definição mais elementar, o Design abrange a identificação de problemas e a subsequente concepção de soluções. Não quero desprezar o que já foi tão teorizado, mas, basicamente, o Design serve para resolver dificuldades. Existe para simplificar a vida das pessoas, para tornar mais fácil a sua interacção com o que as rodeia, seja o que for.

Curiosamente, antes disso, a faculdade de Direito e, sobretudo, a advocacia, ensinaram-me algo semelhante. Afinal, o Direito também se destina a identificar problemas e a propor soluções. Na advocacia, aliás, é precisamente esse o objectivo. Os advogados sempre foram e sempre serão uma espécie de designers jurídicos. Em dimensões tão diferentes, o Design e o Direito têm este denominador comum. E provavelmente é esse o motivo pelo qual eu, que odeio coisas por resolver e nós por desatar, gosto tanto dos dois.

Também por isso achei graça quando encontrei um outro cruzamento entre o Design (neste caso de interiores) e o Direito. Não é novidade que os escritórios de advogados estão cada vez mais parecidos com ateliers de arquitectura, mas há uns melhores que outros. Este chamou-me a atenção porque, não fossem os livros monocórdicos a bocejar eu-sou-um-manual-entediante-de-direito-comercial ou eu-sou-uma-soporífera-colectânea-de-jurisprudência-de-1943 (o design gráfico nos livros jurídicos já começa a ter qualidade, mas por regra não é muito feliz), eu diria que se tratava de uma empresa de publicidade. Quem disse que os advogados não podem ter estantes suspensas e prateleiras amarelas?


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[Escritório da sociedade Pereira Neto | Macedo Advogados, Brasil. Design de interiores de FGMF Arquitectos. Imagens aqui]

26/11/2013

Alucinação arquitectónica

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Phillip K Smith III é um artista/designer/arquitecto (ou assim uma espécie de fusão das três coisas, aparentemente) que montou uma instalação no meio do deserto californiano, usando uma modesta cabana de madeira com mais de 70 anos. 

Instalou nessa construção painéis espelhados que alternam com tábuas de madeira, criando um truque visual, como se o deserto trespassasse o edifício, ou se fundisse nele. À noite, um sistema de luzes LED dá cor à cabana, transformando-a num ponto de claridade no meio da escuridão daquele lugar.

O nome da instalação - Lucid Stead - parece brincar com o resultado obtido: lucid significa tanto luminoso como lúcido, mas neste caso é a luz que cria uma alucinação, uma coisa que não é o que parece.

A ideia de envolver a própria paisagem na instalação, tornando-a parte dela, é engraçada. Não acho muita piada às luzes em néon, mas gosto do efeito de miragem que se cria durante o dia. E, não sei bem porquê, a primeira sensação que tive ao ver as primeiras imagens é que se tratava de uma cabana junto ao mar. A ilusão vai muito para além da paisagem seccionada.

[Imagens aqui]