30/09/2014

A casa mil-folhas: Sturges House

Se há coisa que me irrita é falar-se de Frank Lloyd Wright como o arquitecto da Fallingwater, como se o homem não tivesse feito mais nada de importante. É claro que a Fallingwater é gira e tal. E mais gira que a própria casa é a circunstância de ser também chamada de Kaufmann Residence, e de ter sido encomendada pelo mesmo Kaufmann (Edgar J. Kaufmann Sr.) que dez anos depois veio a escolher Richard Neutra para lhe construir uma casa na Califórnia (a famosa Kaufmann House). Há quem coleccione selos, mas este Kaufmann, sortudo, coleccionava ícones arquitectónicos. Não está mal. Ainda assim, a Fallingwater é hoje uma espécie de Torre Eiffel da Pensilvânia. Já toda a gente conhece. Que tal falar de outras coisas? 

Por exemplo, da Sturges House (1 a 14). Frank Lloyd Wright fez o projecto em 1939 e a casa foi construída no mesmo ano, para George D. Sturges, em Brentwood, Los Angeles, Califórnia. É uma casa relativamente pequena (tem cerca de 110 m2), mas tem um terraço que envolve grande parte das divisões. A construção foi supervisionada por John Lautner, ainda enquanto assistente de Frank Lloyd Wright. Não é uma obra muito estudada, mas chamou a atenção de alguns fotógrafos conhecidos: a fotografia abaixo (1) foi tirada em 1947 por um fotógrafo que acompanhou parte da vida do arquitecto, e que se tornou numa espécie de fotógrafo oficial, Pedro E. Guerrero; a última de todas (14) foi tirada por Balthazar Korab.


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O interior, representado na planta e na imagem abaixo (2 e 3), é assim meh. Muito laranjinha para o meu gosto. Nem vale a pena falar dele aqui.


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Como se vê bem pelas fotografias, a Sturges House é composta sobretudo por corpos balançados (4 a 7). Não é coisa que aprecie muito (como já disse aqui no Pufe), mas, se havia quem os fizesse bem, era Frank Lloyd Wright. Apesar de algumas das suas construções parecerem autênticos jogos de Jenga, visualmente ficavam sempre bem equilibradas. Além disso, os corpos balançados, nesta, são também a chave da privacidade da casa. A construção foi executada numa zona que veio a ganhar alguma densidade urbanística (9 a 11), mas a casa manteve-se bastante resguardada. Do lado da estrada, praticamente não tem janelas (8), do lado contrário, apesar de ter vários vãos rasgados de cima a baixo, tem um terraço imenso (11 e 12), sobre-elevado por causa do balanço, que protege as divisões dos olhos da vizinhança. Aliás, esse terraço e essas janelas fazem lembrar muito o estilo Prairie, adoptado por Frank Lloyd Wright no início do séc. XX.


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A Sturges House foi qualificada pelo próprio Wright como uma casa usoniana (trad. de usonian). Wright utilizava o termo usoniano para descrever o carácter típico da paisagem americana, única, distinta e livre de convenções arquitectónicas estrangeiras, e empregava a palavra com um sentido verdadeiramente nacionalista, como se integrasse um movimento de procura da identidade dos Estados Unidos. Aliás, o termo usoniano foi referido pela primeira vez, julga-se, por James Duff Law, um escritor americano do séc. XIX. Para Law, os cidadãos dos Estados Unidos da América não tinham o direito de usar o termo "americanos" quando se referiam exclusivamente a eles próprios, em respeito pelos canadianos e pelos mexicanos. Por isso, propôs identificarem-se como usonianos (de Usonia, palavra que até veio a ser adoptada para, em Esperanto, designar os Estados Unidos da América).

Frank Lloyd Wright desenhou cerca de 60 casas que veio a rotular como usonianas, começando com a Jacobs House, em 1936/37, e passando pela Sturges House. São casas pequenas, construídas com materiais locais, das quais ressalta, na maioria delas, a cor. Sobretudo a cor do tijolo e da madeira avermelhada. São castanhos brilhantes, sanguíneos e vivos, que concorrem com os verdes das árvores da envolvente (muitas das casas integravam-se em áreas de florestação abundante, de cores exuberantes), e que inevitavelmente fazem lembrar as cores dos povos nativos americanos.

Quanto ao estilo em si, há muita misturada. A construção é muito orgânica pelos materiais que usa, fazendo lembrar a tradição japonesa nos elementos horizontais e na abordagem contemplativa. Mas, curiosamente, e ao mesmo tempo, a extensão dessas linhas não deixa de ser também um reflexo do streamline moderne, pelo movimento que confere à construção, partilhando algumas características de uma postura estética tão oposta, tão industrial e tecnológica. E é verdade: quando olho para a Sturges House, vejo invariavelmente um grande navio de barro (13).

Mas o que mais me impressiona - na Sturges House e em muitas outras casas usonianas - é a importância da horizontalidade. Mesmo quando os edifícios são suportados por elementos verticais que ditam a forma como a casa se desenvolve - como acontece nas casas do género da Sturges House, composta quase exclusivamente por corpos balançados -, são as linhas horizontais que definem a construção. Os telhados são o mais plano possível, e todos os alçados são marcados por linhas horizontais (sobretudo os de madeira), como se ainda tivessem os vestígios dos rabiscos do arquitecto. 

O resultado é extraordinário, e é especialmente extraordinário na Sturges House: apesar do peso dos materiais - cimento, tijolo, madeira -, e apesar da monumentalidade dos volumes que se criam por causa deles, a casa aparenta ter uma leveza impressionante. O segredo está, parece-me, nas ditas linhas horizontais repetidas. Diria eu, numa comparação culinária, que é o efeito mil-folhas: a sobreposição de várias camadas finíssimas de matéria, como se fossem meras linhas, desvia os olhos da densidade dos elementos e dispersa-a horizontalmente. Não há como negar: afinal, também na arquitectura se encontram distintos e mui ilustres maîtres pâtissiers.


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Dados e fotografias em 1, 2, 3, 4, 5, 6, , 7, 8 e 9

25/09/2014

Os sofás cutchi

O Pufe acordou hoje com vontade de falar sobre a moda dos sofás cutchi. É uma moda que se vai insinuando devagarinho, mas que está para ficar.

Por norma, o sofá é um móvel grande, o protagonista da sala de estar. Tem tendência a ser o mais discreto, por isso mesmo. Se é um bicho que mete respeito, é também um dos que quer passar despercebido, como um grande elefante envergonhado. Já basta o tamanho que tem. Por isso aparece tantas vezes com cores neutras, padrões sérios e formas discretas. Quem compra um sofá raramente se aventura em grandes excentricidades. É muito material, ali a ocupar a sala quase toda, há que escolher, diz-se, o que se funde melhor com o resto dos móveis e o que, todos os dias, nos diz não-olhes-para-mim-assim-eu-sou-só-um-sofá-e-não-tenho-culpa. Estes dois, abaixo, são exemplos disso (se bem que são mais uns falsos tímidos, cada um no seu género).


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Sofa, Florence Knoll, 1954, Knoll (aqui)

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Onkel Sofa, Simon Legald, 2012, Normann, aqui


Mesmo os sofás em pele tipo chesterfield são, devo reconhecer, portentosos exemplares de algum recato, ainda que armados em peça de luxo. É claro que os odeio, sejam feios ou bonitos, porque para mim não há assento pior que um sofá em pele. É mau quando a pele do sofá está fria, é ainda pior quando está quentinha (por causa do utilizador anterior) e parece que nos sentamos no lombo do próprio animal. É mau porque o sofá faz aquele chiar esquisito de cada vez que relutantemente nos mexemos, é ainda pior porque tem aquele cheiro duvidoso (será mesmo da pele?). E é péssimo, acima de tudo, porque não se pode lavar [blergh]. Para mim, um sofá em pele é um troféu como os outros: só faz sentido com tapete de pele de urso espalmado no chão e torso de veado na parede. Ou seja, não faz sentido nenhum. Mas, lá está, é uma questão de gosto. No fundo, é como a eterna e profundíssima discussão cueca vs. tanga, ou slip vs. boxer: com as devidas distâncias em relação aos sofás (que na prática nem são muitas), cada um é que sabe como prefere acomodar o respectivo dito.

Mas voltando aos sofás. Se a tendência é normalmente para o estilo sóbrio, a verdade é que há também por aí uns grandes malucos (sempre houve, mas agora há mais). São as divas do design, histéricas e extravagantes. Nas formas, nas cores, nas texturas, às vezes em tudo ao mesmo tempo, ao ponto de alguns sofás serem verdadeiros travestis mobiliários. Seguem alguns exemplos.


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Victoria and Albert Sofa, Ron Arad, 2000, Moroso, aqui

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Alcove Sofa, Ronan & Erwan Bouroullec, 2006, Vitra, aqui


Como é óbvio, isto ainda é o mundo do design considerado respeitado, onde se assegura uma garantia mínima de bom gosto e de qualidade. Mas às vezes essa garantia é muito ténue. Há por aí muita coisa que se aproxima perigosamente das criações de algumas lojas ali da Rua da Estefânia ou da Pascoal de Melo, onde pululam imitações mal amanhadas de grandes clássicos, contraplacados baratuchos, madeiras lacadas horripilantes e afins, imersos, claro, em tapetes de pelo comprido (normalmente roxos), móveis estofados (normalmente em tipo pele branco), mesas de centro em acrílico (normalmente azulado), papel de parede adamascado (normalmente com tons dourados) e telas “arte abstracta” ou stencils de parede com citações de Nicholas Sparks, tudo 100% poliéster made in China.

Retomando. Entre os sofá diva, há alguns subversivamente infantis. São os sofás cutchi-cutchi, que estão abaixo. Só mostro alguns, para não enjoar. É muito açúcar.


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Nubilo Sofa, Constance Guisset, 2014, Petite Friture, aqui

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My Beautiful Backside, Nipa Doshi & Jonathan Levien, 2008, Moroso, aqui

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My Beautiful Backside outra vez, agora versão gelatina de limão

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My Beautiful Backside, ainda outra vez, em azul bebé


São todos redondinhos, com almofadas em forma de rebuçadinho, tons pastel e padrões bilu bilu. As almofadinhas são mesmo a pedra de toque. Muitas almofadinhas, de vários tamanhos e feitios. É uma espécie de sofá meets tribo urbana japonesa. De clássicos semi bocejantes, os sofás passaram a big cuties cheios de corante artificial, que dificilmente resistirão à flutuação dos boards do Pinterest.

Comprar um sofá destes é como ir a uma loja de gomas. Mas, em vez de dor de barriga, estes sweeties causam dor de bolso: o preço – do Nubilo Sofa, € 2.600,00, e do My Beautiful Backside, pasme-se, € 13.320,00 – não é nada queridinho.

16/09/2014

The third floor flat

O Pufe tem andado um bocadinho ao abandono, mas não me esqueci do mistério que deixei por desvendar nesta posta. Este (1):

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Para quem, como eu, gosta da série de televisão Poirot (3), baseada na obra de Agatha Christie (e que uso como suplemento vitamínico, de tempos a tempos), não há mistério nenhum. O edifício da fotografia é aquele que aparece na série como o pied-à-terre onde vive Hercule Poirot, mais conhecido por Whitehaven Mansions, em Sandhurst Square. E que, na realidade, chama-se Florin Court e fica em Charterhouse Square, em Londres, perto da estação de metro de Barbican.
O Florin Court aparece regularmente nos vários episódios, mas vê-se sobretudo no The third floor flat, episódio inspirado no conto homónimo (do livro Poirot's Early Cases), onde Poirot desvenda o mistério da morte de uma pessoa num apartamento do seu próprio prédio (2).


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Aqui fica o Florin Court, de outras perspectivas, e em todo o seu esplendor Art Déco:


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E aqui ficam algumas imagens da série, onde aparece o Florin Court:


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É verdade que no Pufe se gosta muito do modernismo mais a puxar à Bauhaus e aos americanos que a seguiram. Mas o Pufe também tem um fraquinho (pensando melhor, talvez um fracão) pelo Art Déco, sobretudo na arquitectura. 

Aliás, o Art Déco (ou style moderne) apesar de nascido em França (o nome vem da Exposition Internationale des Art Décoratifs et Industriels Modernes, realizada em Paris em 1925, mas só a partir da década de 60 foi autonomizado do Modernismo pelos teóricos), é, pelo menos no que respeita a arquitectura, muito British. E aqui, apesar da tara pelo design escandinavo, pela arquitectura americana, ou pela iluminação italiana, gosta-se muito de tudo o que nesses temas é British.

Há imensos e bons exemplos Art Déco no Reino Unido (basta lembrar, só em Londres, algumas partes do Savoy, do Claridge's e do Park Lane Hotel). Não são propriamente o Chrysler de Nova Iorque - nos Estados Unidos o Art Déco foi mais arrojado -, mas são interessantes q.b.. Muitos desses edifícios aparecem no Poirot, de tal modo que alguns episódios parecem autênticas lições televisivas sobre arquitectura (e design) modernista no Reino Unido (que, deve dizer-se, não se limita ao Art Déco puro, como comprova a famosa High and Over, que também aparece em alguns episódios). De Art Déco, basta lembrar o De La Warr Pavilion (16), o Midland Hotel (17), o Eltham Palace (que é Art Déco no interior - 18), ou a Joldwynds house (19), todos pétreos protagonistas de vários episódios do Poirot.


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A arquitectura Art Déco no Reino Unido teve o seu ponto alto entre as duas guerras mundiais (como na maioria dos países onde se desenvolveu). Surgiu, por isso, numa altura marcada pelo progresso tecnológico e por grandes mudanças. Perante as privações causadas pela guerra, o Art Déco veio responder com opulência, luxo e materiais sofisticados, deixando respirar a arquitectura e o design com as suas linhas simples e direitas, tão diferentes dos arabescos naturalistas do Art Nouveau. Mas era mais do que isso: ao mesmo tempo que reflectia a era das máquinas e dos veículos futuristas (sobretudo na corrente mais streamlined, também chamada de Streamline Moderne), o Art Déco ia buscar inspiração ao Egipto e às civilizações da América do Sul, usando os seus traços, padrões e geometrias (a descoberta do túmulo de Tutankamon em 1922 agravou a moda do gosto pela civilização egípcia, sobretudo em Inglaterra, de onde partiam inúmeras expedições).
No fundo, o Art Déco era uma espécie de fusão do supérfulo e do ornamental com o simbólico que a história e a arqueologia lhe acrescentavam. Era um movimento decorativo, mas, ao mesmo tempo, com significado.

Na tal corrente streamlined do Art Déco, a exuberância era mais contida, mas tudo exalava velocidade. O objectivo era reproduzir as linhas aerodinâmicas dos grandes transportes da altura - transatlânticos, comboios de longo curso, novos automóveis e aviões comerciais -, suavizando as arestas. Os edifícios e os objectos tornavam-se mais estilizados, mas ganhavam movimento. Aliás, voltando ao Poirot, quem não se lembra do genérico da série, cheio de alusões ao Art Déco e ao Streamline Moderne, sobretudo quando se vêem as linhas deixadas pela passagem do grande transatlântico, do comboio e da avioneta (20)?


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Mas regressando ao Florin Court: parece que a própria Agatha Christie terá explicado que o estilo Art Déco seria demasiado extravagante para a personalidade de Hercule Poirot. Ainda que, no mundo real, a Autora não tenha sido certamente insensível ao modernismo, não tivesse ela até vivido durante algum tempo no Isokon [quem gostar do Isokon não pode deixar de ver esta e esta postas do António Araújo, com quem às vezes parece que partilho algumas sinapses - as dele bem mais complexas que as minhas - sobre arquitectura moderna]. Mesmo assim, pensando bem, a personagem das little grey cells faz todo o sentido num ambiente tão racional, arrumadinho, controlado e geométrico como o Art Déco (claro, na sua forma menos excêntrica e mais discreta, o Streamline Moderne), ao mesmo tempo que o seu temperamento de belga dandy vai bem com os materiais caros e luxuosos. Daí que o Florin Court tenha resultado tão eficazmente na série, e represente de forma perfeita aquela que seria a casa do detective magnifique

O Florin Court foi construído em 1936 de acordo com projecto de Guy Morgan and Partners, e, como se pode ver pelas fotografias, tem uma fachada em forma de onda, fora do vulgar, seguindo precisamente o Streamline Moderne. A fachada foi pensada para dar vista para a praça ao maior número de divisões possível. Foi provavelmente um dos primeiros edifícios de apartamentos residenciais na área de Clerkenwell, e é um dos que mais se destaca pela sua fachada.

Os pormenores Art Déco vão além da fachada curvilínea (21 e 22) mas, infelizmente, o mesmo não acontece no interior dos apartamentos.


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É certo que, tal como aparece na série, o apartamento do Poirot em Whitehaven Mansions é assim:


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Mas, na realidade, o que se vê no Poirot é cenário, e não o interior do edifícioPor dentro, o Florin Court é, hoje, assim (e estes são alguns dos apartamentos mais jeitozinhos que encontrei):


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Maravilhoso, não é? Fora dos episódios do Poirot, o Florin Court é composto por 120 apartamentos/estúdios (!), sendo a grande maioria deles gaiolas de cobaia com um quarto, cozinha e casa-de-banho, distribuídos por 9 andares. Sendo um pied-à-terre desde o início, quando foi construído não devia ser muito diferente em termos de organização de espaço. Para verem como são espaçosos os apartamentos, vejam a planta da imagem 36. Ou a cozinha (sem janelas) em obras da imagem 37. Só de ver fico com falta de ar. Eu até percebo que nos anos 30, quando, em vez do duo piscina na cave/jardim no terraço havia no Florin Court um restaurante e um cocktail-bar para os inquilinos, não houvesse necessidade de fazer cozinhas muito grandes. Mas escusavam de as ter mantido do tamanho de despensas. É conservar o conceito de pied-à-terre mesmo à letra.


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Infelizmente, não consegui encontrar nenhuma imagem dos interiores da época (quem encontrar avise, gostava muito de ver), mas aposto que nos anos 30 estes cosy flats tinham um charme diferente.  As modernizações que fizeram nos anos 80 (foi nessa altura que passou a chamar-se Florin Court) também não devem ter ajudado a manter o espírito dos interiores originais. Deixa-me com pena. Um edifício destes merecia apartamentos fantásticos e, sobretudo, remodelações que respeitassem e honrassem a sua história. Como diria Poirot, I am not amused.

Imagens e info em 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16.